A
retrospectiva, o balanço, os novos planos e objetivos, chega o réveillon e as
cabeças resolvem ficar a todo vapor, os corações se enchem de esperança e no
boca a boca ou nas redes sociais o mais importante são as boas vibrações e
mensagens de paz e prosperidade. Confesso que adoro esse clima, me sinto bem e
abraçada pelos bons sentimentos. Claro, que sempre têm quem critique, quem
aponte a hipocrisia, e arremesse as indiretas. Mas eu gosto de pensar que todo
mundo está sujeito a mudanças, e todo esse balanço do ano, todos esses planos,
são a melhor forma de se descobrir, porque o fim de ano não se trata de
levantar criticas aos outros, até porque, quando a gente olha demais para os
erros dos outros, acabamos nos esquecendo dos nossos próprios erros, e daí,
como melhorar?
Praticando
aqui a minha autoanálise do ano, me perco nos erros e acertos, nas alegrias e
frustrações, pois uma coisa é certa, por melhores que sejam nossas intenções,
em algum momento nós vamos falhar, não importa o motivo, estamos sujeitos a
isso, e nos perdoar, é o primeiro passo para melhorar, errar menos, ou cometer
erros diferentes. Agora, cá entre nós, entender que os outros também erram
também é importante, né? Não, ela não é uma pessoa má porque falhou com você.
Porque não atingiu as SUAS perspectivas. Talvez ela estivesse passando por
tantas coisas diferentes, que nem percebeu que lhe fez mal. E uma coisa eu
aprendi nesse ano, ser tão dura comigo mesmo me faz sofrer, mas ser dura demais
com os outros me dói mais ainda, ter compaixão, saber perdoar e não viajar
tanto na maionese, é libertador. É, viajar na maionese, isso mesmo, imaginar,
supor, “ah, será que eu fiz algo que a chateou, por isso ela se afastou?” “fulano mudou, fulano não me liga mais, não
se importa comigo” Fulano, talvez esteja precisando mais de você do que você
dele, ou talvez, fulano apenas não ligue mesmo, mas ele não é ruim por isso.
Talvez nos coloquemos num grau de importância tão grande que separamos as pessoas
em “ruins – não gostam de mim”, boas “são legais comigo”. E já repararam o
quanto isso é egoísta?
Sim,
esse ano eu mandei mensagens que não foram respondidas, mandei cartões que não
foram agradecidos, dei carinhos que não foram retribuídos, não posso dizer que
não me frustrei, mas aprendi. Aprendi a fazer a minha parte independente de
qualquer reciprocidade, e me afastar de quem me faz mal. Mas o mais legal,
aprendi a me surpreender, fiz tantas coisas desinteressadas, me deixei agir com
tanta naturalidade, instintivamente, que foi maravilhoso receber carinhos
gratuitos, demonstrações de afeto e confiança, simplesmente por eu ser quem eu
sou, por ter feito bem a alguém por ser natural.
Então
quando eu penso num objetivo para 2015, só consigo pensar em “deixo a vida me
surpreender”. Permito-me fazer novas amizades, deixo pessoas que me fazem mal
ir embora, permito-me, aproveitar mais o dia, fazer mais por mim e para quem eu
amo, permito-me sorrir apesar das dificuldades, afinal elas sempre vão existir,
permito-me fazer o passeio inesperado, receber a visita que não esperava,
ganhar o sorriso que não imaginava, dar o abraço que não almejava. No novo ano,
eu me deixo perdoar, eu me disponho a olhar mais para os meus próprios erros do
que para os dos outros, e olhar para o outro com mais compaixão e verdade. Em 2015,
eu me permito ser feliz, e você?
Tão difícil diminuir as expectativas, ser empático e ouvir o coração falando baixinho quase invisível entre tantas distrações tão valorizadas quanto assassinas do que temos de melhor, o tempo que deixamos de amar, compartilhar ou mesmo gozar o silêncio enquanto lê um belo texto como este. Muito bom! E um feliz ano novo para nós!
Tão difícil diminuir as expectativas, ser empático e ouvir o coração falando baixinho quase invisível entre tantas distrações tão valorizadas quanto assassinas do que temos de melhor, o tempo que deixamos de amar, compartilhar ou mesmo gozar o silêncio enquanto lê um belo texto como este. Muito bom! E um feliz ano novo para nós!
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